26 Setembro 2006

Lembranças Desfocadas

Fábio pegou o álbum de fotografias e se perdeu em lembranças.
Aqueles momentos agora estáticos tinham tanto significado, guardavam tantas lembranças, causavam tanta saudade.
Saudade!
Que sentimento era aquele que tanto afligia Fábio? Por quê não conseguia viver o presente e se desapegar do passado?
Mas ela estava sempre lá, batendo no ombro de Fábio e lembrando-o:

-Viu como vc já foi feliz? Como era lindo o seu passado, não?

E as lágrimas escorriam de seus olhos ao se lembrar de tantas gargalhadas, tantos sorrisos, tantos sonhos.
Agora, entretanto, se alimentava do que já passara e tornara-se um refém da saudade.
O que para algumas pessoas era um sentimento acolhedor, com uma palavra para defini-lo apenas em português, para Fábio era uma prisão.
Maldita saudade que o afligia e o impedia de seguir adiante.
Ali, naquelas fotos, via o rosto de Clara. Linda, sorridente, feliz!
Quantas saudades de Clara! Tanta que até doía!
Mas agora ela já se fora e o abandonara.
Como era possível amar tanto uma pessoa e, ao mesmo tempo, odiá-la tanto?
Clara despertava isso em Fábio. Amava-a e odiava-a com a mesma intensidade, com a mesma força, com a mesma paixão.
Bendita e maldita! Perfeita e ordinária!
Conheceram-se e apaixonaram-se!
A convivência perfeita, os sonhos, os planos. Morar junto foi o passo seguinte.
Tudo era perfeito para Fábio.
Até o dia em que ao chegar em casa, encontrou Clara quieta, contemplativa, estranha.
E assim Clara continuou por um bom tempo. Primeiro ficava assim em alguns momentos. Depois o comportamento se tornou habitual.
Clara deixou de ser luminosa e tornou-se amargurada, seca, áspera.
Até que um dia ela não estava mais lá. Apenas o maldito bilhete:

Não dá mais! Você não me completa. Estou indo embora. Vou sentir saudades, mas já tenho outra pessoa...

Saudades! Ia sentir saudades!
Ela que morresse, fosse pro inferno e se esquecesse dele.
Ele conseguiria refazer a vida, conhecer outra pessoa, ser feliz.
Não conseguiu.
As outras mulheres não tinham graça e Clara tornou-se uma obsessão.
E assim Fábio passou a viver do passado, amargurando aquela saudade do que nunca realmente havia sido verdade.
Trancou-se em lembranças e esqueceu que a vida continuava e que o presente era bem mais belo que aquelas imagens estáticas do álbum de fotografia.
Mas Fábio não sabia disso.
E acabou morrendo sem saber.
Leandro Faria Chaves, 26/09/2006

23 Setembro 2006

Saudade...

Os dias se arrastam... Tendem ao infinito
Meus lábios, sedentos, buscam sua boca.
Desejam seus beijos e seus cheiros, aflitos.
E quanto mais nua, mais tua, mais louca.

Sôfrega por sentir sua língua em meu umbigo
Tocar sua mão tocando meus seios
Entregar-me com gemidos em seus ouvidos
Mergulhada em luxúria e em devaneios

Sigo ainda passeando pela vida monótona
Desejando à noite, a extinção dos dias.
Ser apenas o furor que seu furor denota

Quero romper com gozo afoito essa agonia
De te querer tão perto, quando longe...
E findar a solidão que meu olhar esconde.


*Como o tema da semana é saudade... Escrevi esse soneto para o meu namorado, João.

22 Setembro 2006

Pra ter saudade, é preciso viver agora

Saudade, saudade, saudade. Fui eu que sugeri o tema, mas agora não sei o que escrever. Já falaram tanto sobre ela, em verso e prosa, que fica difícil escrever alguma coisa interessante. Bem, vou escrever simplesmente o que der vontade, afinal, não temos o compromisso de escrever algo bom, este espaço existe para trocarmos impressões, ainda que elas nada tenham de originais... Pra começar, como definir a saudade? Eu acho que ela é prima do amor, da amizade, do carinho, do encantamento. E é irmã da memória. Nem toda lembrança traz saudade, mas toda saudade vem abraçada com uma lembrança. Pode ser a lembrança de um quem, de um quê, de um quando, de um onde, de um como, de um porquê... mas é sempre uma recordação de algo que foi bom, que nos cativou e nos fez feliz. Na maioria das vezes, ela é uma menina doce, que chega devargarzinho e nos dá um sorriso. Aí nós sorrimos de volta, porque quando a acolhemos é como se estivéssemos acolhendo tudo o que nos faz bem, é como um agradecimento por tudo que a vida nos oferece de único, de sensacional. Sentir saudade é confirmar que vale a pena viver. Só precisamos ter o cuidado de não alimentar demais essa menina, para que ela não cresça além do que é saudável e se torne uma adolescente problemática, rebelde, voluntariosa, que em vez de nos incentivar a aproveitar as oportunidades que estão no presente, queira travar uma batalha perdida contra o tempo, fazer o passado se descolar da memória e invadir uma realidade que não lhe pertence. A saudade deve ser uma visitante, não uma inquilina, jamais a proprietária da nossa vida. Ter saudade é bom, mas ela só tem razão de ser quando continuamos livres e abertos para o novo.

21 Setembro 2006

Depende...

Tem horas que o que mais quero é que tudo se exploda.
Mesmo com meu sorriso no rosto e um ar de auto-confiança, por dentro posso estar despedaçado!

Fazer o quê? Vive-se de aparência.

Desde pequenos somos moldados e obedecemos a diversas convenções.

Isso pode, aquilo não pode, inadmissível agir daquela maneira!

Homem não chora e é insensível.

Estou aqui pra mandar essas convenções pro espaço!

Eu choro, sofro, chuto o balde.

Mas também sou canalha, insensível, egoísta e trapaceiro.

Não sou nem vilão nem mocinho.

Sou humano, só isso!

Com altos, baixos e médias emocionais como qualquer outro ser humano.

Mas me cobram o sorriso no rosto a todo custo. É o preço que pago pelo meu sorriso perfeito e luminoso de garoto de comercial de creme dental.

E tem horas que eu sorrio, pois sei ser falso quando quero.

Em outras, uso um sistema que tenho e aperto um botão invisível que tenho na testa. Quando pressionado, o FODA-SE é acionado e não poupo ninguém. Ninguém mesmo, pode ter certeza disso. E nesses dias que acordo azedo, o céu pode estar azul, o sol brilhando, mas não importa pois tudo pra mim é cinza. Como em outro dia o inverso também pode acontecer e meu lado Polyana se manifestar para que eu consiga achar positivismo em tudo.

É nessa eterna briga entre o bem e o mal que convivo todos os dias.

O anjinho e o demônio, um em cada ombro, tentando me convencer a agir dessa ou daquela maneira.

E eu cedo. Ou não.

Depende.

Afinal, tudo é relativo.

Inclusive eu mesmo, que posso ser claro ou totalmente confuso.

Entendeu?

Se sim, parabéns!

Se não, vai pro espaço!

20 Setembro 2006

Eu já quis ser a She-ra

Eu confesso. Eu já quis ser a She-ra. Também, difícil é encontrar alguma garota da minha geração não gostaria de ser como ela. Imagine: é só dizer algumas palavrinhas e pronto! - você está vestida para arrasar, maquiada, com um cabelo maravilhoso, seu cavalo se transforma num majestoso unicórnio (algo como a abóbora se transformar numa carruagem), todos os homens malvados têm medo de você e, pra completar, você tem um irmão (ou primo, sei lá!) que é um verdadeiro espetáculo e que está sempre a postos pra te defender! Como não invejar uma criatura dessas? Nenhuma outra personagem representa de forma tão perfeita tantos desejos femininos. Eu já quis ser a She-ra. E não me arrependo disso. Mesmo no seu cotidiano, ela era um mulher inteligente, determinada, corajosa, obstinada e fiel aos seus princípios. Acho que não me fez mal ter a She-ra como exemplo. Ela amava sua família, seus amigos, seu povo. Ela era independente. Ela se arriscava pelas suas crenças. É, realmente não foi ruim querer ser a She-ra. Ela foi um exemplo melhor do que eu mesma pensava quando comecei a escrever este post. Depois dela, eu passei a admirar mulheres fortes, que encaravam os problemas, que não se escondiam. Que não levavam desaforo pra casa. E ela não usava um uniforme parecido com a bandeira dos Estados Unidos... Não quero mais ser a She-ra. Sou adulta, e aprendi que os modelos devem servir como referencial, como inspiração, não como um formato para clonagem. Também já sei que não existem palavras mágicas para ficar linda e irresistível, para isso nós precisamos gastar tempo, paciência e dinheiro (e, às vezes, nem fazendo muito esforço a gente consegue...). Mas foi bom querer ser como ela. Inconscientemente, devo ter buscado essa referência em diversos momentos, quando fui levada a me perguntar se queria (ou devia) ser objeto ou sujeito. Decidi ser sujeito. Não preciso ser uma heroína, não preciso ser perfeita. Me basta ser senhora da minha vida. E, se eu vacilar algumas vezes, tudo bem. Porque apesar da She-ra ser o máximo, ser mulher neste mundo é uma aventura mais perigosa do que enfrentar as hordas do Esqueleto...

CHEGUEI!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Oiêêêê?!......... Aloooouuuuu........... Tem alguém aí?...................
Como fazer uma entrada triunfal sem aplausos? Sem saber se terá alguém do outro lado nos lendo? Claro que tem os outros 4 patetas donos desse blog (eu sou a pateta nº5). Mas eles não valem, né... São café-com-leite.
Bem, já que é pra escrever, senão o Leandro morre de desgosto, vamos fingir que existe uma platéia enoooorme. Senão, não tem graça.
Platéia, aplauda-me agora!
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Faz de conta que foram 587 linhas de "clap clap" (aplausos) calorosos! Alucinados!
Nossa! Estão todos se rasgando por mim! Calma gente, calma... Já chega.
Pronto. Estou saindo da nave espacial (aquela da Xuxa). O Leandro é o Dengue. Oi Dengue!
A Leina é aquela tartaruguinha baixinha, acho que era o Praga...
A Gi é um contra-regra anônimo, daqueles que absolutamente ninguém vê. Oi, ilustre desconhecida!
E a Su... Ai Jizuis, o que eu faço com a Su? Sei lá... não tô muito inspirada hoje.
Pronto. Chega de palhaçada com vcs 4. Vou falar agora com o meu público, tá? Dá licença.
Sabem, queridos fãs que me assistem, quer dizer, lêem, estou até agora tentando entender o que nos leva a fazer isso. Blogs. O Leandro me apareceu com essa moda, e eu fiquei aqui abismada...
Quando eu era pequena, juntava todas as minhas bonecas, e fingia que era uma multidão imensa me assistindo. E eu era a Xuxa, claro. Tinha até uma saia amarela que eu colocava na cabeça. Era o meu cabelo loiro. Até caía nos olhos...
Já quando eu escrevia um diário, era o contrário. Tinha até chavinha! Afinal de contas, são segredos. Até onde sei, a premissa de um segredo, é que ninguém mais saiba de sua existência, né? Então, isso aqui pode ser tudo, menos diário.
A gente está aqui pq quer ser visto. Sabe Deus por que, mas a gente quer ser visto.
Não bastam os amigos e a mãe dizendo que nossos desenhos são lindos. A gente quer que todo mundo veja...
Não sou poeta, cronista, escritora, enfim... Mas já percebi que isso tb não é problema.
A gente põe a saia amarela na cabeça, e fica "sissi".
A nova onda é brincar de ser famoso. Agora é chique ser comum. Graças aos BBBs, tá assim ó de comuns na TV. É gente comum pra todo lado.
O grande barato é que quando um comum sobe no palco e mostra sua "normalidade", todo mundo se identifica.
'Olha lá! Ela é igualzinha a mim!'
Daí, fico me perguntando o que é que eu tô fazendo aqui? Diacho... Não sou escritora! Pra que que eu tô aqui escrevendo? Eu hein...
E vc? Tá fazendo o que lendo isso?

19 Setembro 2006

As Moiras riem de nós...

Você já se sentiu sendo arrastado pela vida? Como se você não tivesse nenhum controle, nenhum poder sobre os acontecimentos, como se você fosse uma reles peça de um quebra-cabeça que outra pessoa está montando?
Os gregos explicavam essa sensação pelo mito das Moiras ou Fatalidades, que seriam as senhoras do destino humano, responsáveis pelo fio da vida de cada um. Cloto fiava, Láquesis determinava o comprimento do fio e Átropos o cortava quando ele atingia o tamanho determinado.
O tempo dos mitos passou, e começamos a acreditar que o homem é o centro do universo, que temos domínio sobre a nossa vida e sobre o que está em torno de nós. Perdemos a noção da nossa fragilidade, passamos a nos dar importância demais.
Você vive correndo e nem percebe como depende dos movimentos no seu cotidiano, até que você escorrega, leva um tombo numa escada e precisa ficar vários dias em repouso. Você está dirigindo e acha que está no controle, porque você sabe dirigir. Mas não pensa que alguém, num outro carro, pode estar alcoolizado ou simplesmente distraído, e pode provocar um acidente fatal, inclusive ou apenas pra você.
É assim que a gente vive. Ignorando que não temos, nunca tivemos e provavelmente nunca teremos poder absoluto sobre as nossas vidas. Temos, sim, poder sobre as nossas escolhas. Mas elas não definem integralmente os rumos que tomamos. As escolhas de muitas pessoas, próximas de nós ou não, interferem em nossos caminhos, enquanto a recíproca também acontece.
É claro que devemos ter sonhos, traçar estratégias, perseverar. Mas precisamos também ter a consciência de que podemos ser afastados da rota a qualquer momento, por imprevistos além do nosso alcance. Já me senti sendo jogada em outra direção mais de uma vez, já me senti impotente diante de situações inesperadas, já me senti revoltada por ter que lidar com isso. E sei que vou me revoltar todas as vezes que isso acontecer.
Azar o meu. Azar o nosso, por considerarmos os gregos ultrapassados, superados. As Moiras riem de nós...

18 Setembro 2006

Cinco - A verdade com um toque de lirismo

E da carne se fez o verbo em um dia como outro
E do verbo se nos fez um ou nenhum, nos fez cinco
Nos fez alegres, talvez tristes, mas nos fez doutos
Nessa convivência desenhada com afeto e afinco

Numa espiral de desencontros pelo que a vida se conduz
Tropeçamos uns nos outros quase que sem querer
Nesse ambiente que de forma nenhuma nos traduz
Nos repelimos a principio, pra depois nos fazermos ver

Somos cinco e formamos nossa grei soberana
E por pertinácia, imaginamos um cinco cabalístico:
Leandro, Giselle, Leina, Claudia e Suzana

Unidos e diversos como os dedos de uma mão
Sem se intimidar com argumentos sofísticos
Verborrágicos por natureza, amigos por opção


* Sonetinho adolescente em homenagem aos meus amiguinhos, pra que vocês vejam o quanto eu os amo!!! Que lindo, a vida é rosa!

17 Setembro 2006

Sobre Blá blá blá, Verborrogia e Afins

E num estalo, esse blog foi criado.
Foi criado pq somos malucos.
Pq somos egocêntricos.
Pq falamos pelos cotovelos.
Pq não podí­amos privar a humanidade de ler o que escrevemos.

Já fomos uma população vasta.
Tanta gente diferente e tanta loucura reunida.
Entretanto, a evolução natural da espécie acabou selecionando os mais aptos.
Sobramos os cinco.
Uma coisa meio 'bendito é o fruto entre as mulheres' para mim (o que aprecio bastante).
4 mulheres (pq a Claudia não gosta do termo garotas, acha coisa de menina sem cérebro) e 1 homem.
Me sinto quase num harém.

E aqui, nesse espaço, vamos soltar o que tivermos vontade.
Afinal, de nós, pode-se esperar tudo.
Letra, música, poesia, contos, crônicas, desabafos, xingamentos.
E, provavelmente, o que mais vc conseguir imaginar.
Pq somos assim.
Su, Gi, Leco, Dinha e Leina.
Cheios de conflitos que nossos dramas dariam até roteiro de cinema.
E agora estamos aqui.
Pra quem quiser ler.

Falta definir umas coisinhas, mas acho que será bem legal.
Bem vindo ao nosso mundo!
Um abraço,
Leco